domingo, 10 de fevereiro de 2013

Simplicidade de criança


Faz tempo que já venho tentado evitar de escrever sobre isso, seja por preguiça ou por achar que o texto pode não ficar bom, mas algumas ideias ficam me martelando a cabeça até eu escrevê-las. Há algum tempo atrás, na verdade lá pra final de Janeiro, eu comentei com a minha irmã em uma viagem que fizemos: "Por que quando se é criança tudo parece tão mais divertido?". Ela acabou rindo, e eu deixei para lá, não esperei resposta, apesar de ficar me perguntando isso o resto da viagem. Quer dizer...ninguém mais nunca parou para pensar em como dá saudade da infância em algum momento? 

Não existe saudade de quando uma piscina, 
nem precisava ser tão grande, 
aquelas de plástico mesmo, 
virava um enorme oceano? 

Ou em como uma viagem de final de semana 
era uma grande aventura. 

Sem falar na maior prova de amor
...o beijo de boa noite da mãe. 

E ainda o melhor banquete: 
aquele lanche da tarde na casa da avó. 

Ficar em pé no sofá, 
era como escalar uma montanha.

E aprender a andar de bicicleta
 a maior conquista.

Fazer amizade era simples:
"Oi, quer ser meu amigo?"

Sem falar no eletrônico mais querido:
O bichinho virtual.

A maior expectativa era fazer
10 anos, depois 12 anos, depois 14...


Não era necessário grifes, nem muitos brinquedos e muito menos todos as formas de tecnologia possíveis e imaginárias. Era preciso apenas uma coisa: imaginação. E era gostoso assim, criar, brincar, aprender. Qual é a melhor sensação se não aquela de sair correndo contra o vento? Existia maior forma de expressar liberdade que essa? Ou a sensação de se equilibrar em um patins?...Era como se você fosse capaz de tudo.

Aí, são nesses momentos, que eu paro para me perguntar...quando perdemos essa simplicidade? Quando passamos a querer trocar de celular a todo instante ou fazer compras desnecessárias aqui e ali? Ou então por que esquecemos de ir até o parque em ou final de semana ou em outro, respirar um pouco de ar puro, estar perto da natureza....sentar na frente da TV e ver algum filme com o "central park" já é se aproximar da natureza? Sem contar aquele momento, em que você poderia ir até o supermercado a pé, mas não...a chave do carro é tão mais convidativa. Será tudo isso consequência da vida adulta? Será que crescer que faz isso com a gente?...E aí vem amais uma pergunta: será que "crescer" assim não é o que tem acentuado mais os índices de estresse, cansaço, depressão na população? 

Mas sabe ainda o pior de tudo? Tem aquele baixinho ali atrás de você, seguindo seus passos,...seguindo, porque ele aprendeu que são os mais velhos que ele deve seguir,  e que cada vez mais tem adiantado esse crescimento. É aquele baixinho que no aniversário de três anos vai pedir um Ipad, no lugar de uma bola de futebol. E que vai preferir ficar jogando Mortal Kombat à sair para andar de bicicleta. 

Não sei vocês, mas eu tenho tentado recuperar minha "simplicidade de criança". Procurando acreditar que meu maior presente do dia é ver o sol nascer e se pôr. Ansiando por chegar em casa e ver a melhor recepção que eu poderia ter: a festinha do cachorro, me fazendo sorrir e esquecendo o dia cheio que eu tive. E sempre, mais sempre, mantendo quem eu amo, minha família e meus amigos, por perto. Porque as melhores provas de carinho sempre vem, e sempre virão, deles.

Por Lis Selwyn

4 comentários:

  1. interessante http://bloggdoanonino.blogspot.com.br

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  2. Que foto linda que você pois nesse post! Em fim, obrigada pela visita no meu blog Menina perdida, seguindo aqui...

    http://juhhrabelo.blogspot.com.br

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  3. Thata, Que texto lindo! Uau! Acredito ser inevitável esse saudosismo em alguns momentos da vida. Principalmente por pessoas que possuem sensibilidade latente como você, eu e tantas outras pelo mundo. Acho que é porque percebemos que muita gente anda adepta a vida descartável (aquela onde as relações e as pessoas são descartáveis) e prefere viver o virtual ao real. Todo esse advento da tecnologia, por um lado, é bom; facilita a comunicação e as notícias são dadas quase que em tempo real. Por outro, algumas pessoas deixam de apreciar as coisas simples da vida (mas que fazem toda a diferença, como: apreciar o nascer e o pôr do sol; a lua e as estrelas; um mergulho no mar; fazer uma trilha e sentir esse contato com a natureza como um presente, enfim. As meninas de hoje, desde cedo, já usam salto alto...eu com 9 anos brincava de boneca, rabiscava em papéis, brincava de pique esconde...rs. Acho que, ao crescermos, a nossa simplicidade de criança fica um pouco adormecida dentro de nós, mas não se perde, não desaparece. Cabe a nós despertá-la e deixá-la livre para quando ela quiser brincar um pouco do lado de fora.
    ;)

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  4. Olá, querida, obrigada pelos elogios! Acho que às vezes essas revoltas/desabafos vem...e, eu com certeza, uso esse blog para expor....muita coisa boa, mas também muita coisa que eu não concordo, e ai acaba vindo em forma de desabafo, como esse ai. Acho que a tecnologia é fundamental nos dias de hoje, mas acredito que ela tenha idade para ser usada. Como você disse, criança tem que bagunçar, tem que brincar, aprontar, correr....ser feliz! E acredito que você disse tudo, ....cabe à nós, tudo de pende de nós. Como diz uma frase ai "seja a mudança que você quer ver no mundo", obrigada mais uma vez, beijos!

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