terça-feira, 9 de julho de 2013

As Flores da Estação




As Flores da Estação

Tinha seus dezesseis e poucos, e não era como se pudesse reclamar muito da vida. Estava quase concluindo o Ensino Médio, tinha bons amigos, um time de vôlei nas costas, pai, mãe, irmã e um cachorro, praticamente a ilustração de família ideal. Mas há dois meses estava decidida de uma coisa, a partir de seu aniversário de dezessete anos só teria amores platônicos. Sim, exatamente, sabe aquele tal amor platônico tão temido?! A tal opção impossível? Pois então, ela havia decidido que era o melhor, mesmo que não fizesse lógica para a maioria ao seu redor.

Não poderia nomear sua vida amorosa como extensa, mas podia dizer que havia tido experiências ruins o suficiente para não querer criar expectativas em cima de nada, mesmo escutando de conhecidos que aquilo era somente uma fase, que na adolescência nenhum amor costuma vingar de fato. Concordava completamente com "amores impossíveis são as flores da estação".

Os pôsters de roqueiros pelo quarto, o vizinho que está na faculdade e até mesmo o professor de inglês...todos amores platônicos, todos amores que ela poderia escolher, de acordo com a estação, sua vontade ou o último CD lançado. Não era triste, não era deprimente, como escutava suas amigas dizerem. Ou pelo menos ela não queria admitir isso. Era somente mais seguro não ter que passar pela cabeça aquelas famosas paranoias de quando o amor paira no ar, esperar a ligação ou o convite para sair. Por fora ela se sentia tão mais feliz, tão mais segura de si sem depender das tais possibilidades, sem precisar passar por tudo de novo. Mas por dentro, onde ninguém conseguia ver, talvez nem mesmo ela...só assim, uma vez ou outra, quando confessava para si mesma, os lugares nunca estiveram tão vazios, as tardes de domingo nunca foram tão entediantes e a falta de um abraço nunca havia sido tão grande. Quem sabe, assim, por uma fração de segundos, ela não se pegasse desejando que seus amores não fossem tão platônicos, fossem mais reais.

(09/Julho/2013)
Por Lis Selwyn

ps: Dedicar o conto pra minha irmãzinha ;p, que foi quem deu a ideia, eu já havia prometido esse conto fazia meses, mas, acabou saindo mesmo só hoje, espero que tenham gostado!

Um comentário:

  1. Hey! Fala para sua irmã que eu adorei a ideia e manda um beijo pra ela. Sim, pq eu leio as letras pequenininhas também =P


    "Mas por dentro, onde ninguém conseguia ver, TALVEZ NEM ELA MESMA ...só assim, uma vez ou outra, quando confessava para si mesma, os lugares nunca estiveram tão vazios, as tardes de domingo nunca foram tão entediantes e a falta de um abraço nunca havia sido tão grande."


    Curioso e fantástico como eu sempre me identifico com qualquer coisa, por mais pequena que ela seja, que você escreve. E é tão gostoso isso, não é? Essa troca, esse sentimento de vermos de fato que não estamos sozinhos nessa estranheza que às vezes são os sentimentos pra nós mesmos.

    Eu acho que existem dois tipos de mentirosos, sabe? Os primeiros são aqueles que mentem para enganar, mas eles têm plena consciência que mentem, que enganam e que trapaçam.
    Os segundos são aqueles que mentem pra si próprios, chegando a não distinguir a verdade da ilusão, por ser mais fácil viver assim.

    Mas a consequência que resultam da mentira desses dois tipos de mentirosos é sempre a mesma: Dor, alheia ou não.

    Adorei o conto, simplesmente adorei, título, imagem e o todo. Parabéns.

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