domingo, 25 de maio de 2014

The Way You Look Tonight ( 2º Capítulo - Fanfic)

Nota: Continuação da Fanfic Clarina The Way You Look Tonight, espero que gostem! :)



Capítulo 2: With You 

 “You’re the only thing that makes me feel like I can live forever... forever with you”

(The Airborne Toxic Event, Timeless)


Marina’s POV:

Talvez eu estivesse mais fraca naquele momento do que em qualquer outro. Ou, talvez eu estivesse mais forte do que nunca, capaz de vencer qualquer coisa que aparecesse em minha frente. Clara era exatamente isso para mim, minha maior fragilidade, mas também a maior fortaleza que poderia ser criada dentro de mim.

Eu nunca fora de clichês, mas me perdoe se aqui eu repetidamente eu for. Percebi, com ela, que é impossível falar de amor, se é que é possível falar sobre ele em sua exatidão, sem soar clichê. No momento em que nos beijamos o universo pareceu parar e tudo ao nosso redor se congelou. Existíamos apenas nós, mais nada. Seus lábios estavam adocicados, assim como seu beijo, devido ao vinho, que também persistia no aroma do ar junto a fragrância inconfundível que Clara possuía. Ela não parecia nervosa, parecia até mais relaxada do que eu. Talvez não tivesse pensado nas consequências, o que, eu, confesso ter pensado.

- Como eu pude viver tanto tempo sem esse seu beijo? – De repente a escutei sussurrar em meu ouvido, fazendo com que eu me estremecesse. Continuávamos nossa dança, meio descoordenada, mas nossos corpos ainda se encontravam no mesmo balançar, descoordenados juntos. Pareciam se entender sem que ninguém houvesse ensinado-os.

- Eu te amo...eu te amo! – Me escutei dizer em sussurro viajando naqueles olhos âmbar que me encaravam de maneira tão doce, tão apaixonada...era impossível não querer mergulhar neles, não querer mergulhar nela.

Clara segurou meu rosto com as duas mãos. Seu toque macio, seu sorriso...eu finalmente havia sido fisgada pelo amor e eu não queria, nem poderia recuar. Encostou sua testa na minha e ficamos nos encarando por algum tempo que eu nunca iria saber medir.

Diversas vezes, quando me descobri, me indaguei a mesma questão. Como amar poderia ser errado? Fosse alguém de outro sexo ou do mesmo, amor era amor. Roubar era errado, um marido que bate na mulher é errado, um neto que maltrata os avôs é errado, um filho que mata o próprio pai é errado, um país governado por ladrões é errado... mas amar? Como amar poderia ser? Eu nunca achara resposta para tão indagação, nem nunca achara pessoa que apresentasse argumentos suficientes para me mostrar onde estava o erro. Agora, encarando Clara, na mesma descoberta que tantas outras pessoas passam, eu me perguntava...me perguntava o que ela pensava, quais eram seus medos. Óbvio que existiriam medos comuns, que todos nós passamos, mas também existem medos particulares. E no momento, meu maior medo era me jogar de cabeça naquele amor e que ela de repente achasse que era um erro. Riscos eram necessários, eu sabia disso, embora no interior ainda temesse. Segurei as mãos de Clara e a virei em um giro delicadamente, abraçando-a por trás e mantendo meu corpo junto as suas gostas. Voltei levemente a aquele antigo balançar de nossos corpos enquanto sentia seu perfume exalar por toda parte.

- Eu gostaria de ficar aqui para sempre...eu quero isso para sempre...- Ela confessou tão baixinho que só pude escutar por estar tão próxima.

- Você é a única coisa que faz com que eu acredite que eu poderia viver para sempre. – Disse em seu ouvido, beijando levemente o lóbulo de sua orelha direita e percebi os pelos de seu braço se eriçarem. Acariciei-os levemente.

-Você já vive...aqui...- Ela levou minha mão próximo ao lado esquerdo de seu peito. Acabei sorrindo de forma abobalhada, como uma adolescente apaixonada pela primeira vez.

- Você acreditaria se eu dissesse que você é a mulher da minha vida? – Sussurrei mais uma vez e Clara se virou para mim mantendo o mínimo espaço entre nós.

- É tudo o que eu quero ser...- Vi seus olhos encherem de lágrimas e junto os meus se encheram. Engoli em seco, tentando evitar que aquelas lagrimas rolassem.

- Você já é...você já é...- Segurei sua mão direita levando até meu rosto para beijá-la, a fim de acalmá-la.

- Me desculpe fazer você passar por tudo o que eu tenho feito você passar...- Clara pediu e pude senti a sinceridade.

- Ei...ei...Clarinha, que história é essa?

A encaminhei para o sofá onde nos sentamos. Clara encostou a cabeça em meu ombro.

- O que você me fez passar? Você me fez conhecer o amor, me fez querer criar planos com alguém...me fez querer estabilizar em um lugar só...com somente uma pessoa. Você não tem que se desculpar por me fazer te amar...

- É só que...eu queria que tudo fosse mais simples. Eu queria ser desimpedida...queria...- A interrompi.

- Shhh...não diga isso, não devemos nos arrepender do que já vivemos. Isso é a sua história, não se arrependa dela. Você tem um filho maravilhoso e ...tenho certeza que aprendeu muito com seu casamento.

- Ainda sim...eu tenho vontade às vezes de pegar o Ivan e sumir do mundo...chamar você e....a gente se perder por ai!

Acabei sorrindo e deslizei meus dedos pelo cabelo liso e escuro de Clara, acariciando-o.

- E quando você quiser se perder...é só me ligar, que com certeza eu irei...mas antes, você precisa resolver tudo que existe pendente.

- Cadu. – Ela suspirou e concordei com a cabeça, evitava na maioria das vezes dizer o nome dele, a não ser para perguntar sobre sua saúde.

A abracei e mais uma vez ela se aninhou em meu colo, permanecemos juntas e em silêncio por alguns minutos. Clara parecia longe e embora que eu desejasse que ela estivesse comigo ali naquela sala, que nós finalmente tivéssemos os momentos que tanto merecíamos, eu não podia negar a família dela, muito menos os problemas que a assombravam. Depois de algum tempo, ela quem cortou o silêncio que ali havia.

- Eu sei que ele pedirá a guarda do Ivan...eu sei...- Clara sussurrou com uma tristeza imensa que senti meu coração ser quebrado por ver tamanha dor dentro dela. – Eu sei que ele vai...

- E nós iremos onde for preciso para você lutar por essa guarda!

Clara me olhou tão surpresa que tive medo de ter dito algo de errado.

- Nós?

Mordi meu lábio inferior.

- Desculpa se eu...

- Não...não...eu quero dizer, você...pretende ter um futuro comigo?

Acabei rindo da sua pergunta, como ela poderia imaginar que eu não pretendia ter um futuro com ela?

- Clara, eu quero estar ao seu lado em todos os momentos. Nos bons, mas principalmente nos ruins. Quero ser seu amor, quero me casar com você. Quero chegar em casa e te encher de beijos todos os dias e te ouvir contar animada todos os causos da sua família. Quero poder viajar, te levar para conhecer o mundo e brindar todas as suas conquistas. Quero te fazer a segunda mulher mais feliz do mundo, porque ao seu lado, você já me faz a primeira mulher mais feliz do mundo.

A emoção que antes eu e Clara havíamos tentado segurar, pareceu agora ser impossível de ser controlada. Ambas nos encaramos entre lágrimas. Abracei-a forte, tão forte que podia sentir o coração palpitante em seu peito.
Quando nos afastamos ligeiramente, foi inevitável o que aconteceu. Nossos lábios se encontraram mais uma vez em um beijo apaixonado, intenso. Eu poderia dizer a ela “te amo” em todas as línguas imagináveis, que ainda sim não seria suficiente. Suas mãos desceram por meus ombros, braços, cintura e sem medo ela foi descobrindo cada curva e desenho do meu corpo. A beijei com mais vontade, era impossível reprimir aquele desejo que por tantas vezes havia calado. Acariciei seu rosto, costas e cintura, que apertei levemente quando Clara desceu seus beijos por meu pescoço, arrancando-me suspiros.

- Eu te amo...eu te amo...- Sussurrei, desta vez ofegante.

- Eu também te amo...- Ela me respondeu e meu corpo se arrepiou duplamente, pelas carícias e pela forma como a castanha havia me dito que me amava.Clara parou pouco a pouco e nos encaramos mais uma vez, tive receio que ela dissesse que aquilo era um erro. – Eu quero tanto...quero tanto você...- Seus olhos se mantinham fixos aos meus. Com um carinho delicado com o indicador ela desenhou os traços de meu rosto. – Quero tanto conhecer seu corpo como conheço você...- Seu sussurro novamente fez o que eu arrepiasse, mas de certa forma eu sabia o que vinha a seguir, por isso me adiantei dizer.

- Você irá...você...

- Me desculpa...- Clara pediu mais uma vez.

Selei seus lábios.

- Não se desculpe, eu vou te esperar... vou esperar o quanto for preciso para que possamos viver nosso amor.

- Você promete?

Concordei com a cabeça.

- Você tem o meu coração, irá levá-lo com você onde quer que você vá.
Entrelaçamos nossos dedos assim como nossas almas e corações estavam entrelaçados. Muitos não entenderiam o por que de esperá-la, é algo tão incerto quanto o destino da vida de um ser humano. Mas era disso que se tratava a vida, de riscos.

- Eu prometo, prometo que quando chegarmos no Rio...- Coloquei o indicador sobre os lábios dela, como se pedisse para que Clara não continuasse. Senti seu beijo levemente em meu dedo. Acabei sorrindo com isso.

- Minha Clarinha, não prometa nada...por favor! Vamos viver sem promessas e sem desculpas. – Pedi e ela concordou com a cabeça. Nos encaramos mais uma vez e repetir um “eu te amo” foi redundante, nós duas sentíamos aquele amor, aquela corrente que nos unia.

Naquela mesma noite, antes do sol nascer, deixamos Petrópolis rumo ao Rio de Janeiro, e por mais que Clara insistisse em querer fazer-me a promessa de que assim que chegasse se divorciaria de Cadu e viria ao meu encontro, eu continuei pedindo a ela que não fizesse aquilo. Eu tinha a certeza do que sentia e confiava no sentimento dela por mim, isso bastava. Promessas eram coisas tão comuns, tão ordinárias, coisas que nós não éramos. Nós  somos especiais, eu acreditava nisso. Eu não queria correr o risco de cair em uma promessa, queria apenas correr o risco de ser feliz com ela, era tudo o que eu desejava.

Quando estávamos quase na entrada do Rio de Janeiro, o sol começava a nascer. Paramos o carro no acostamento, uma vez que a estrada estava tranquila e saímos do carro. Podíamos ver ao longe o mar, a bela paisagem do Rio de Janeiro e o sol começando a iluminar aquela cidade que tão maravilhosa é. Clara abriu os braços, como quem dizia que era livre, ao menos naquele momento.

- Eu te amo, Marina....EU TE AMO! – Ela gritou e acabei rindo, a abracei novamente por trás, enchendo seu pescoço de beijos.

- Eu também te amo, Clara...minha Clarinha...

- Quero que todos os dias comecem com você e terminem com você.

Deixei Clara em frente seu apartamento por volta das sete horas da manhã. Nossa despedida foi ao nascer do sol, ali em frente a seu prédio apenas um abraço rápido.



“J'irai chercher ton coeur”
(Céline Dion, Pour que tu m’aimes encore)

Clara’s POV:


Eu ainda podia sentir o corpo de Marina, seu abraço e seu perfume junto comigo. Quando adentrei ao elevador que me levaria para casa, quis correr atrás de seu carro, fugir dali. Mas me mantive forte, encostei contra a parede do elevador, querendo soltar meu corpo e desabar ali mesmo. Não queria encarar o Cadu, ele era o que eu menos queria ver aquela manhã, mas eu sabia que era o certo...e eu precisava fazer o certo, em nome ao respeito que eu tinha por ele, e por nosso filho Ivan, é claro.

Imaginei se minha cara denunciaria, se Cadu tiraria conclusões próprias e jogaria todas as minhas coisas pela janela como naquelas novelas mexicanas. Quando o elevador indicou meu andar, engoli em seco, fazendo uma prece mental para que Ivan estivesse ainda dormindo. Toquei a campainha e aguardei.

- Não acredito que você tem a coragem de aparecer aqui...- Eu podia ver e sentir seu ódio. Seus olhos estavam vermelhos e havia gotículas de suor por todo seu rosto.

- Cadu...

- Não...não ouse a entrar na minha casa depois de ter passado a noite...fazendo...

Cruzei os braços, cada vez menos eu reconhecia o homem com quem eu havia me casado, e isso, mais do que qualquer outra coisa fazia com que eu me afastasse dele.

- Não fale do que você não sabe.

- Eu não sei mais de nada, a mulher com quem eu casei virou uma ...uma sapatão...- Disse ele, a fim de ofender, mas pouco teve efeito em mim.

- Cadu, não haja como se você tivesse a idade do Ivan...me deixe entrar, por favor...- Pedi, discutir no corredor do prédio onde minha família inteira habitava era tudo o que eu menos precisava.

- Por quê? Por que você não assume logo Clara o que você sente por aquela destruidora de lares? – Indagou ele de forma dramática.

- Porque eu desejaria contar e assumir primeiro para o homem com quem eu casei, e não para o prédio inteiro.

Cadu pareceu pensar, e a contragosto abriu a porta.

- Eu espero que você tenha vindo aqui para pegar as suas coisas.

Ele informou, e o encarei incrédula.

- Cadu...o que aconteceu com você? Gostaria de saber quando você deixou de ser você.

- Quando você deixou de ser você. – Ele me respondeu.

- Por favor, me escute...

- Escutar o que? Que você está apaixonada por uma mulher? Uma mulher Clara? – Ele disse como se fosse um absurdo, um crime. – Que você esqueceu que é mãe, esposa...para se aventurar com aquela lá..e

- Você não fale assim dela!

- Lá vai você novamente defendê-la. Você deveria defender o seu marido doente, seu filho, sua casa...não uma menina mimada que acha que a vida é só festa!

Subitamente o ódio percorreu minhas veias. Hesitei em dar-lhe um tapa no rosto. Cadu havia passado dos limites, era tudo o que ele fazia ultimamente. Percebi que ele havia reconhecido que agora havia me atingido, e como desculpa, ou não, nunca saberei dizer, ele levou a mão ao peito, enquanto se apoiava no sofá.

- Eu estou saindo...- Alertei-o.

- Deixando o seu marido doente e do seu filho? – Ele indagou, mas sua voz havia parecido ter voltado ao normal.

- Não Carlos Eduardo, deixando este homem ridículo que você se tornou. Eu nunca o deixaria por conta de uma doença, aliás, você teria sempre o meu apoio no que precisasse, eu te ajudaria com tudo que você precisasse. Eu não posso ignorar dez anos de casamento, nunca faria isso. Eu estou apaixonada sim por outra pessoa, nosso casamento está sim acabado...mas não está acabado o fato de eu ser mãe do Ivan, muito menos o fato de eu querer te ajudar. Eu vou sair desta casa, por esta porta, e amanhã venho buscar o Ivan...o dia que você quiser minha ajuda para algo...o número continua o mesmo.

Percebi Cadu cair sentado no sofá, não por alguma indisposição, mas por tristeza. Vi que ele não esperava encontrar a Clara que ele conhecera com tanta força, garra e atitude. Me senti bem, aliviada, livre, mas também me senti péssima por ter caminhado para o fim daquela forma

Ainda haviam lágrimas em meu rosto, nunca fora tão difícil encarar o Cadu, mas ao mesmo tempo toneladas pareciam ter sido tiradas das minhas costas. A verdade era sempre o melhor caminho, no fundo eu sempre soubera disso. Sentei na ponta da cama, enquanto separava as principais mudas de roupas que haviam em meu armário. No celular, disquei o número de Marina, conforme colocava minhas roupas dentro de uma mala. Eu só desejava encontrar um único coração.

- Você quer fugir comigo? – Perguntei assim que ela atendeu o telefone. Marina entenderia o que eu queria dizer.



* You’re the only thing that makes me feel like I can live forever... forever with you:
*J'irai chercher ton coeur: Eu irei procurar seu coração.

2 comentários:

  1. Uaaau. Posta mais. Estou amando suas fics.

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    1. Heeeey *___* obrigada por estar comentando aqui, estou adorando sua opinião! *_* Próximo capítulo postadoooo! o// qualquer sugestão, dúvida, comentário, ideia...fique a vontade para falar *_*

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