quarta-feira, 25 de junho de 2014

The Way You Look Tonight (11º Capítulo - Fanfic)

notas: Surpresaaa, capítulo duplo postado hoje! ;) espero que gostem, beijinhos



Capítulo 11: Demons

“I want to hide the truth
I want to shelter you
But with the beast inside
There’s nowhere we can hide”
(Imagine Dragons, Demons)


Vanessa’s POV:

- Você vai ficar andando de um lado para o outro a tarde inteira? – Indaguei ao ver Marina passar pela sexta vez por mim. Desde o telefonema mais recente de Clara era assim que ela se encontrava. Inquieta, nervosa, ansiosa, impaciente...

- Não é culpa minha ok! – Marina se largou no sofá, parecendo exausta. Permanecia com o celular em mãos caso  Clara ligasse a qualquer instante para ela.

- Bom...de certa forma é...- Provoquei, enquanto terminava de limpar as lentes da câmera no balcão a frente de onde Marina havia se largado. -...se não fosse você, Clara não teria se apaixonado e...

- Para! Chega, Vanessa! – A fotógrafa me interrompeu e eu levantei minhas mãos, mostrando ser inocente.

- Só estou falando a verdade...- Resmunguei de forma azeda.

- Mas eu estou cansada das suas verdades. E dos seus ciúmes...e de você nessa casa...eu estou cansada de tudo, ok? – Marina se exaltou, e senti como se tivesse enterrado uma faca em meu peito. Larguei a flanela que usava para limpar a câmera e me aproximei de Marina, incrédula no que havia esquecido.

- Engraçado, antes da “Clarinha”...- Resmunguei ironicamente. - ...você não se cansava.

- Antes dela eu era bem diferente. – Marina rebateu.

- Pois é...eu que o diga. – Disse, cruzando os braços e parando a sua frente. – O que aconteceu com você Marina? Onde está aquela fotógrafa que eu abracei e protegi  em Nwe York? Aquela que me disse que estaríamos juntas sempre... e que eu era seu maior porto seguro. – Observei os olhos de Marina serem tomados por um brilho, mas não de felicidade, era um brilho de tristeza. Infelicidade pelas lembranças que eu despertara nela. Até então, desde Nova York, nunca havia tocado no assunto, nunca havia relembrando-a dos acontecimentos daquele verão. Talvez eu fosse uma pessoa horrível e egoísta em fazê-la lembrar de tudo, mas eu tenho certeza que ela não se sentia pior do que eu em cada vez que era obrigada e torturada a assistir suas ceninhas de flerte com Clara.

- Você não tem o direito! – A voz de Marina saiu chorosa. Ela pareceu engolir o choro, buscando forças para falar. – Não é justo...


New York – EUA, três anos antes.

            Marina havia ganhado o prêmio do ano de fotografia. O evento desta vez fora sediado na bela New York que contava com um dos verões mais lindos dos últimos anos.

- Eu gostaria de chamar ao palco os melhores olhos do ano de 2011! – Anunciou o americano Carl Maddox, um dos maiores fotógrafos contemporâneos, em um inglês classicamente nova yorkino. – A brasileira, lindíssima, Marina Meirelles! – Todos os presentes da plateia se levantaram, aplaudindo-a de pé. Eu estava ao seu lado, pude ver a emoção tomar Marina de uma forma que eu nunca havia visto. Este era seu maior sonho e eu estava tão feliz em poder compartilhar aquele momento com minha namorada. Tremendo, a fotógrafa se levantou, enxugando as lágrimas que haviam derretido parte da maquiagem. Mas isto pareceu um mero detalhe, ao estar em cima do palco, ao lado de grandes ícones da fotografia Marina parecia, desde já, tão estrela quanto eles. Estava bela em um vestido longo branco justo ao corpo, delineando as curvas de seu corpo, com detalhes em prata. Ela fez agradecimentos, curvando levemente o corpo para frente e então finalmente lhe foi entregue o troféu em uma mão e o microfone em outra.

- Hey you! – Ela os saudou e a plateia toda fez barulho. – Como vocês estão?! Eu...bem...- Seus olhos se desviaram para o prêmio em sua mão. – Eu não poderia estar melhor! Gostaria de agradecer de coração por todo o carinho...por esse prêmio maravilhoso...por vocês terem deixado esta noite tão maravilhosa de verão aqui em New York, para estarem aqui comigo e compartilharem deste que é um dos momentos mais felizes da minha vida. Bom...eu não sei nem por onde começar os agradecimentos...- Marina agradecia em inglês sem sotaque algum, uma vez que há anos já morava fora do país. -...e tenho certeza que esquecerei de algumas pessoas, por isso já pessoa desculpas desde já. Mas eu gostaria de agradecer, primeiramente, à minha mãezinha que está em algum lugar desse céu me iluminando com todas as estrelas do mundo...porque sem ela nada disso seria possível. Obrigada, mãe! – Percebi que a emoção havia atingido ainda mais Marina. – Em segundo lugar ao meu pai...que é o melhor desse mundo! Desculpa de quem descorda, mas ele é tudo de lindo e de maravilhoso que existe nesse mundo! Em terceiro eu gostaria de agradecer à Vanessa...- Houve mais múrmuros do que o normal na plateia, mas isto não pareceu incomodar Marina. -...a mulher mais linda desta plateia e que, desculpa não está disponível,  porque por acaso vem a ser minha namorada! Te amo, Van! E em quarto, mas não por último, minha priminha linda, Gisele! Obrigada pelas conversas no Skype as altas horas da madrugada aí no Brasil, você é a irmã que eu não tive, Gi! –

Todos comemoraram o discurso de Marina, mas especialmente eu havia ficado lisonjeada com a demonstração de amor dela que havia prometido surpreendê-la a noite inteira em compensação. A festa do prêmio internacional de fotografia foi até altas horas da madrugada.

- Euuuu vou dirigindo! – Marina resmungou com a voz arrastada pela bebida. A segurei pelo braço, puxando-a junto a mim.

- Não senhorita, nos iremos dirigindo...porque nem você....muito menos eu...- Ri alto. – Estamos em condições.

- Ahhh deixa vai Vanessinha? Deixa...deixa...deixa? – Ela fez biquinho para mim e acabei rindo.

- Nada disso, mocinha! – Com uma das mãos fiz sinal para o taxi, devia ser por volta das quatro e meia da manhã.

Adentramos ao taxi e imediatamente, assim que as portas foram fechadas, percebi que haviam sido trancadas pelo taxista, que sem perder tempo deixou o local. Achei estranho, mas não tinha condições reais de pensar.

- Hilton Hotel, please! – Pedi quando vi que já estávamos em uma grande avenida, que devido ao adiantar da hora, encontrava-se vazia. Marina gargalhava ao meu lado, comentando  todos os carros que passavam por nós.
- Non, ma chère!* – Quando escutei aquela voz tão familiar e o sotaque francês, meus olhos logo buscaram o rosto do homem no retrovisor, era o tal Luigi, assessor do pai de Marina.

- Deixe-nos sair! – Gritei imediatamente, tentando abrir a porta, que ele havia  bloqueado. O homem acelerou o carro.

- Agora é tarde! – O careca falou em um português embolado. - ...deveriam checar um taxi antes de ir entrando, mocinhas!

- Luigi! – Marina pareceu reconhecê-lo com o pouco de sobriedade que restava nela. – O que você quer? – A vi chutar as costas do banco do homem que dirigia no assento a sua frente, mas segurei as pernas dela, impedindo que ela tornasse a situação ainda pior.

- Eu dei o meu aviso... - O pneu cantou no chão assim que o homem fez uma curva acentuada e adentrou em um beco. Estacionou o carro de qualquer jeito e saiu do carro, abrindo a porta de Marina, que estava encostada na mesma e quase caiu. Ela cambaleou para fora do carro quando o homem ordenou.

- Por favor...- Ela pediu, eu também havia saído do carro na tentativa de protegê-la de quaisquer que fossem as intenções do assessor.

- S'il vous plaît... S'il vous plait…- Ele imitou a voz de Marina. – Do que adianta isso agora? Eu dei o meu aviso não dei? E você foi a menina mimada de sempre...ignorando ordens...sabe, você puxou tanto sua mãe...se tivesse ideia...- O homem pareceu lamentar, estava a nossa frente e não havia para onde fugirmos nem se quiséssemos.

- Não ouse a falar dela! – Marina tentou ordenar, mas sua voz saiu engasgada, temendo o que ele quisesse dizer com isso.
- Falar dela? Pourquoi*?

- Eu nunca vou deixar que você estrague a lembrança da minha mãe! Nunca! – Marina protestou, embora eu tentasse fazer menção para que ela permanecesse calada.

- Ah não...eu não estou aqui para contar nada da sua mãe. Ela era uma mulher tão pacata e sem graça que chegava a enjoar, aliás foi exatamente por isso que eu a procurei. Porque os planos dela de ter uma família feliz com seu pai e brincar de casinha estavam estragando os planos que eu tinha para seu pai. O amor o impedia de pensar logicamente e ele chegou a cogitar comprar uma casinha no interior do Rio de Janeiro e morar com você e sua mãe...- Luigi fez cara de nauseado. -... mas, graças à mim, ele tornou-se o empresário de prestígio que é. Foi até que fácil a solução...eu só tive que dar um jeitinho na sua mãe...- Seus olhos claros brilharam, alguma espécie de brilho doentio que me fez ter frio na espinha. Apertei fortemente a mão de Marina, temendo e embora quisesse gritar, uma espécie de bolo de nervoso se formava em minha garganta, impedindo que eu fizesse qualquer som.  -... e cá estou eu para fazer o mesmo com você, porque tal mãe, tal filha! – Ele exibiu um sorriso nojento.

- Você matou minha mãe! – Marina, diferente de mim, conseguiu gritar!

- Eu fiz um favor para seu pai! – O homem continuava a afirmar aquela falsa informação. – E mais uma vez farei...suas mãos abaixaram até sua cintura e embora estivesse escuro, consegui ver o objeto preso em seu cinto e  que ele sacava agilmente dali.

- Nããããããão! – Fechei os olhos, conseguindo finalmente gritar, e segurando o braço de Marina próximo ao meu corpo. Eu poderia tentar fugir dali, mas isso possivelmente significaria abandoná-la, e isso eu não faria, nunca.

O som seco do tiro se misturou ao meu grito e minhas pernas fraquejaram. Senti o peso de um corpo cair sob meus pés e as lágrimas me tomaram com tamanha força. Nauseada, acreditei que fosse vomitar até escutar o sussurro e os braços que me envolveram.

- Van...- Era a voz de Marina, como poderia ser? Abri pouco a pouco os olhos encarando-a, ela ainda estava ali, em pé. Abracei a com força, encarando de lado o homem com uma única bala certeira cravada em sua cabeça.

- C-co-como? – Meus olhos se encheram de lágrimas e Marina apontou com o braço tremendo na direção do homem que se aproximava. A princípio eu só via sua silhueta, mas quanto mais se aproximava, mais eu tinha certeza de quem era.

- Pai! – Marina exclamou quando ele estava próximo o suficiente. A fotógrafa chorava tanto quanto eu. Seu pai a abraçara também e beijara o topo de sua cabeça.

- Desculpa...filha...me desculpa! – Marina me soltou por alguns instantes para poder abraçá-lo.

- Eu senti tanto sua falta! – Ela lamentou com a voz ainda  tremula de medo.

- Eu queria tanto ter chegado antes, queria tanto que pudesse ter evitado mais esse trauma na sua vida.

- Como soube? – Ela indagou.

- Há alguns meses que Luigi conferia todas as capas de revista que você saia, todas as entrevistas...ele estava preocupado com o que quer que você pudesse falar...Nós estávamos em Seattle esta manhã quando ele disse que pegaria um voo para New York, eu não havia me tocado até vê-la na TV ganhando seu prêmio...eu...eu gostaria de parabenizá-la, mas não assim...

- Eu sei...- Marina escondeu o rosto no ombro de seu pai. – Como nos encontrou? – Alguns instantes depois, ela voltou a encará-lo.

O homem de cabelo e barba grisalha indicou o próprio aparelho celular.

- Rastreador de aparelhos...tem alguma vantagem ele ser meu funcionário, eu posso controlá-lo de certa forma!

Saímos daquela cena logo depois e apesar das nossas preocupações quanto o pai de Marina ser pego por aquele assassinato, o caso nunca fora concluído, uma vez que não haviam provas o suficiente. A região era considerada altamente perigosa e a suspeita era em relação ao tráfico de drogas, uma vez que fora encontrado substâncias ilícitas em seu organismo.

O pai de Marina disse que de uma forma ou outra teria matado-o pelo que o homem havia feito com a mãe dela. Diogo Meirelles me fez prometer que eu tomaria conta de Marina e que nos manteria em um lugar seguro por alguns meses, para que depois pudéssemos retornar ao Brasil, onde ele acreditava ser o lugar mais seguro para nós no Brasil. Prometi a Marina que seu segredo estaria para sempre guardado comigo e que nossa cumplicidade nunca acabaria, ainda que nosso namoro venha a ter terminado alguns meses depois. A desculpa de retornarmos ao país foi o convite para Marina expor seu trabalho no Brasil, onde, por acaso ela conhecera Clara. E foi ai que eu acreditei que meu inferno astral estava começando.

...


- Nada mais será como antes não é? – Eu encarava Marina, desta vez eram meus olhos que estavam marejados.

Marina negou com a cabeça.

- Eu não posso, Vanessinha. Você não vê o quão mais fácil seria para mim se fosse por você que eu estivesse apaixonada? Iria facilitar tanto...e eu tenho certeza que iria me doer muito menos algumas vezes. – Marina suspirou. – Mas um dia você irá entender, que assim como eu não escolhi que minha atração fosse por mulheres, eu não escolhi me apaixonar por Clara. Ela roubou meu coração, sem ao menos perguntar antes e quando eu percebi, eu já era dela. Eu espero, de coração que um dia você encontre alguém que faça o mesmo com você. – Marina levou a mão ao meu rosto de uma forma carinhosa. – Porque você é uma mulher maravilhosa, companheira, leal, inteligente...e...sabe...eu acho até que você deveria baixar um pouco essa sua barreira, porque tem uma outra moça...- Marina indicou com a cabeça para o jardim. Da janela podíamos ver deitada na espreguiçadeira, parecia estar perdida nos próprios pensamentos. -...muito legal também, que está tentando roubar seu coração! – Marina piscou e acabei sorrindo de canto pela forma que ela falava. Não que doesse menos, mas talvez tivesse chegado a hora de eu aceitar que o nosso passado não poderia ser o meu futuro, mas que Marina poderia estar no meu futuro, se eu conseguisse finalmente enxergar que ela não mais me pertencia. Tê-la como amiga, era melhor do que não tê-la.


Cadu’s POV:
“Don’t get too close
It’s dark inside
It’s where my demons hide”


Os sons dos aparelhos haviam se tornado um incomodo suportável, assim como as minhas dores. Eu havia recebido visita de diversos médicos e enfermeiros, mas quem eu realmente queria ver era Ivan. Haviam me informado que por pouco eu não havia morrido e essa era a parte mais dolorosa de tudo. Eu me sentia culpado, talvez eu fosse minha maior doença, e não o coração. Eu me lembrava muito bem como o ataque todo havia acontecido, Ivan havia me contado sobre como tinha sido sua semana com Clara e Marina e antes que eu pudesse perceber, eu já estava no chão me contorcendo de dor. Antes de tudo se apagar, a última coisa que eu lembro eram dos belos olhos do Ivan, aqueles mesmos que brilhavam ao dizer que eu era seu pai, assustados e chorando pelo que acontecia comigo. Eu sentia que havia machucado meu filho, mesmo sem querer. Talvez tivesse criado um trauma em sua mente que eu nunca seria capaz de apagar, e eu nunca iria me perdoar por isso.

Bateram mais uma vez na porta e me ajeitei, imaginando que algum enfermeiro entraria para verificar meus sinais, eu entraria em cirurgia a qualquer instante, mas aquilo pouco me assombrava perto de saber como Ivan havia ficado, se ele estava bem.

- Senhor Carlos Eduardo? – Perguntou uma enfermeira de morena com traços indígenas que espiou dentro do quarto.

- Sim? – A espiei, respirando fundo, imaginando que ela traria mais alguma notícia ruim dos últimos exames que eu havia recebido.

- Você tem uma visita de uma pequena grande pessoa...posso mandá-lo entrar?

Imediatamente ansiei, a primeira coisa que passou pela minha cabeça foi meu filho. Senti meu coração tentar bater com mais força e isso doía. Imediatamente o aparelho que media as pulsações de meu coração me denunciou.

- Mas terei que pedir para o senhor ter calma...

Concordei com a enfermeira, prometendo que tentaria me acalmar. Em alguns instantes o garoto de menos de um metro e meio adentrou ao quarto, mas a moça estava certa, ele era uma pequena grande pessoa.

- Pai? – Ivan sorriu de canto, e a covinha em seu rosto apareceu.

- Fala, filhão! – Tentei soar o melhor possível. O garoto foi se aproximando pouco a pouco da minha cama.

- Eles me deixaram ver você antes do seu coração ir para o concerto! – Sorri pela forma como Ivan havia falado e apontei para o canto da cama vazio.
- Senta ai, garotão!

Imediatamente Ivan sentou no canto da cama, e abraço meu tronco, me surpreendendo. Os aparelhos fizeram um barulho estranho e imediatamente ele se afastou.

- Desculpa! – O menino pediu se sentindo culpado.

- Está tudo bem filho...- Respirei fundo e resolvi ser franco com ele. – Filho...eu queria te pedir desculpas...desculpas por tudo que você viu hoje...

- Tudo bem pai, eu estava lá para te proteger.

- Eu sei...e você é meu super herói...mas não conta pra ninguém, hein? – Ivan concordou rapidamente com a cabeça e fez sinal de que prometia não contar. – Mas...o papai não é só por hoje...o papai não tem sido um bom exemplo.

- É sim, pai, eu quero ser que nem você quando crescer!

- Não...não diz isso filho. Você quer deixar sua mãe triste? – Ivan fez que não com a cabeça. -...então não seja como o papai, dê a sua mãe todo o amor que ela precisa, está bem? E cuide dela com muito ...muito carinho, porque ela não vai passar por uma fase boa nos próximos meses.

- Por que pai? – Ivan perguntou curioso.

- Sabe a Marina?...Aquela que eu disse que...

- Queria acabar com a nossa família?- Ivan completou e respirei fundo, me arrependendo das palavras que eu havia dito. Era lamentável que só pedíssemos desculpas por nossos erros quando é tarde demais, quando você já corrompeu uma criança. Ainda não era fácil para mim aceitar Clara com a Marina, mas eu sabia que corria riscos naquela operação, não gostaria de correr também o risco de que meu filho levasse o ódio que era meu para sempre em seu coração.

- Ela não vai. Na verdade ela vai cuidar da sua mãe também, como eu e você queremos cuidar também, entendeu? Então...está tudo bem...se você for legal com ela nos dias em que estiverem na casa da sua mãe. – Dei de ombros.

- Tudo bem mesmo? Porque outro dia ela até bateu figurinha comigo... eu achei ela legal...- Ivan confessou.

- Tudo bem cara... seja legal com ela, seja como seu pai não foi...combinado?

- Combinado! P Ivan fez um “jóia” com o polegar.

- E, filho...esteja sempre ao lado da sua mãe, talvez a família não vá gostar muito de saber que agora a Marina que irá cuidar da sua mãe, por isso...ela precisa de você e do seu apoio.

- Eu amo a mamãe! – Ivan sorriu.

- Eu sei... você é um garoto maravilhoso e graças à Deus puxou mais a sua mãe, do que a mim...

- Menos na cozinha! Na cozinha eu sou que nem você, mando bem pra caramba! – Ivan me fez rir e senti algumas pontadas no peito. Tentei respirar fundo.

- Ei cara, nem vem hein...você tá a caminho, mas eu ainda sou o rei da cozinha! – Pisquei para ele e Ivan mais uma vez me abraçou, desta vez com cuidado. Senti o choro, a emoção, subir pela garganta. Me sentia mais leve, sentia que havia feito a coisa certa, mesmo que eu tivesse passado por cima do meu orgulho. Era uma luta constante em o que era certo e o que eu deveria fazer. Nem sempre  essas duas coisas eram sinônimas e cabia a mim escolher o que era melhor, não para mim, mas para Ivan.

- Eu te amo! – O garoto exclamou.

- Eu também te amo, cara! – Sussurrei para ele, bagunçando seu cabelo.


notas finais:

* Non, ma chère : Não, minha querida.
* S'il vous plaît: Por favor
* Pourquoi: Por que


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