quarta-feira, 11 de junho de 2014

The Way You Look Tonight (6º Capítulo - Fanfic)

Notas: Olá meninas, boa noite mais uma vez! Trago aqui o capítulo seis da fanfic. Muito obrigada pelos incentivos aqui, no nyah e no twitter, estou adorando os comentários de vocês! Espero que tenham uma ótima leitura, beijinhos! ;)



Capítulo 6: Something To Believe In

“Tonight I'll dust myself off, tonight I'll suck my gut in.”
(Bon Jovi, Something To Believe In)

Clara’s POV:

Toquei a campainha. Eu estava frente a porta que costumava chamar de casa, agora, tampouco ela parecia ter este significado para mim. Respirei fundo quando escutei a voz empolgada de Ivan dizer que atenderia a porta. Seus passinhos rápidos fizeram meu coração acelerar, eu ansiava tanto para abraçá-lo, para enchê-lo de beijos novamente. Havia sido apenas uma noite longe, mas para uma mãe em desespero uma noite é uma eternidade. A porta se destrancou e o rosto do meu filho se iluminou.

- Mamãe! – Ele pulou em cima de mim, abraçando minha cintura com força. – Eu esperei até a tarde da noite ontem...você não veio para casa. – Ele disse manhoso, como se estivesse magoado e percebi meus olhos se encherem de lágrimas. O abracei novamente, beijando o alto de sua cabeça e bagunçando seu cabelo liso.

- Eu sei filhote, eu sei...mas...

- Clara! – Cadu surgiu logo atrás. Estava com a barba por fazer e pijama, apesar de ser a tarde. Perguntei-me se ele não havia ido trabalhar hoje, mas evitei de fazer a pergunta. Em breve não seria mais sua esposa oficialmente, não me dizia respeito, assim como a minha vida não dizia respeito a ele. – Lembrou que tem filho e marido?

Bufei e o encarei como se não acreditasse no que havia ouvido. Ainda assim ele não havia desistido. Segurei o Ivan do meu lado que não  me soltara. Eu estava feliz por sentir aquele abraço novamente e ver seu rostinho doce.

- Não, eu vim visitar meu filho...na verdade vim, busc-...

- Nem pense! – Cadu me interrompeu e Ivan escondeu o rosto em meu corpo, como se não aguentasse mais nos ver discutir.

- Posso entrar, Cadu? – Pedi com educação.
- Não. – Ele respondeu simplesmente.

- É melhor...- Indiquei com a cabeça para o corredor e ele acabou cedendo, abrindo a porta para que eu entrasse ainda com Ivan me abraçando. Possivelmente repensara ao imaginar os vizinhos que já deviam ter fofocado devido a nossa discussão do dia anterior.

- Mas seja breve! – Ele informou.

- Mãe eu fui bem na prova de matemática! – Meu filhote disse empolgado, fazendo com que eu sentisse ainda mais orgulho dele.

- É mesmo, cara? Bate aqui! – Indiquei a palma da mão para ele bater, e ele gargalhou, encostando a própria palma da mão na minha em um tapa de leve. Eu sabia que aquela era uma forma de  Ivan desviar nossas atenções, uma tentativa de impedir a discussão que, inevitavelmente, ele deveria prever que viria.

Sentei no sofá e Ivan veio se sentar no meu colo, como há muito tempo não fazia. Já que vivia dizendo que estava grande para colo. O abracei em meu colo como se ele tivesse três anos novamente. Beijei seu rosto e ele me contou empolgado como havia sido seu primeiro ensaio de bateria. Cadu pacientemente escutou, de braços cruzados e emburrado como se tivesse a idade de Ivan e aguardasse por atenção. Ignorei-o grande parte do tempo, até que meu ex-marido cortou a conversa.

- Ivan...por que não vai la fazer para sua mãe aquele suco de laranja caprichado que eu te ensinei?

Fuzilei Cadu com o olhar, como ele podia estragar o pouco momento que eu e Ivan tínhamos juntos, mas entendi que era hora de conversar, e eu queria fazer isso. Queria informá-lo que estaria levando o Ivan para morar comigo.

- Você quer mãe? – Inocentemente, ele se virou empolgado para me encarar.

- Claro, filhote! Sei que deve ser uma delícia! – Pisquei para o menino que em um pulo saiu do meu colo e correu para cozinha.

- Vamos conversar como adultos, Clara. – Cadu informou assim que Ivan saiu correndo para a cozinha.

- Agora você resolveu ser adulto? Porque a última vez que me lembro você tinha sido bem infantil...

- Não vamos chegar a nenhum lugar se começar, Clara...

Respirei fundo, mas desta vez ele tinha razão. Então decidi ir direto ao assunto.

- Eu quero ficar com o Ivan...quero ficar com ele até a decisão do Juiz, se você achar mesmo que não somos capazes de entrar em um acordo entre nós dois.

- É claro que eu não acho. Você cada hora quer um coisa, vai que resolve deixar de amar seu filho assim como deixou de me amar do dia para a noite?

- Carlos Eduardo! Não comece, por favor, agora eu quem te peço. É bem diferente, e...não foi de um dia para o outro.

- A não? – Impacientemente ele se ajeitou no sofá. – Então você já vem se engraçando com ela há quanto tempo?

- Pelo amor de Deus, Cadu! – Revirei os olhos. – Marina não é o ponto aqui, e sim Ivan...eu quero ficar com o meu filho!

- Aos sábados!

- O que? Você ficou louco? Durante a semana. – Coloquei minha proposta.

- Aos finais de semana? – Cadu tentou mais uma vez.

- Cadu...

- Olha eu já conversei com o Nando, Clara. Vou assinar os tais papéis, e acredite, se eu tivesse como, não deixaria você ver o Ivan nunca mais. – Cerrei os punhos quando ele disse e percebi meu rosto esquentando de tanta raiva. Como ele ousava. – Mas...infelizmente isto pode me prejudicar na audiência, então...

- Então eu fico com meu filho até lá! – O interrompi.

- Aos finais de semana.

- Cadu, pare de querer comercializar seu filho como se fosse uma casa de praia! Por Deus, cara, você ficou louco? Dias alternados até chegarmos em uma decisão melhor.

Cadu respirou fundo e eu não tirei meus olhos dele. Não havia outra opção, ele tinha que aceitar. Como Nando mesmo havia dito a ele, seria prejudicial me proibir de Ivan, ele não tinha esse direito.

- Ok. – Resmungou a contragosto quando Ivan surgiu na sala tentando equilibrar uma bandeja com três copos de plástico cheios de suco de laranja. Ele mantinha-se tão concentrado que a ponta da sua língua estava para fora, como se fosse alguma espécie de ponto de concentração próprio.

- Olha o suco de laranja...quem vai querer....quem vai querer...- O garoto informava.

Acabei sorrindo em ver o filho tão maravilhoso que eu tinha.
- Opaaa, me passa um aí, cara! – Exclamei para ele, e eu fui a primeira a ser servida. Logo em seguida foi Cadu e após deixar a bandeja em cima da mesa de centro Ivan sentou-se ao meu lado tomando um gole do suco no próprio copo.

- Viu como eu to craque em equilibrar a bandeja, mãe?

- Eu vi, ...mandou muito bem!

- Vai é virar meu garçom lá no bistrô, não é filhão?! – Cadu se intrometeu, mas Ivan gargalhou, e vê-lo rir daquela forma, despreocupadamente, fez com que eu me sentisse bem.

- Vou nããão...isso é trabalho infantil, é proibido! – Ivan fez que não para o pai com o dedo indicador.

- Já vi que alguém aqui anda conversando muito com o Nando, né?! – Cutuquei o Ivan na barriga e ele riu. – Vamos lá filho, arruma uma mochila que hoje você vai passar a noite com a mamãe!

Surpreso, Cadu me encarou como se achasse um absurdo minha ousadia. Devolvi com um olhar desafiador, era o nosso combinado, a noite passada ele havia passado com o pai, e agora era a minha vez.

- Vou poder ir na piscina? – Ivan se empolgou rapidamente.

- Só se chegarmos cedo! – Quando eu respondi, ele disparou para o quarto para arrumar as coisas.

Levantei-me também, gostaria de pegar mais algumas coisas que havia deixado no armário.

- Clara...- Cadu me chamou e antes de seguir para o quarto, me virei para encará-lo.

- Sim?

- Quando foi que tudo acabou? – Desta vez ele não perguntava com pressão, na verdade parecia um tanto quanto triste. – Você não sentirá falta da nossa família?

- Nem eu sei ao certo quando tudo acabou, Cadu. Talvez tenha acabado tudo antes mesmo de eu conhecê-la,...não sei. Mas eu sei que agora...agora o Ivan é a minha família. – Sei que aquelas palavras doeram em Cadu, por isso não olhei para trás e segui para o quarto a fim de ajeitar algumas peças de roupa.

Eu e Ivan fomos cantando o caminho inteiro até Santa Tereza Legião Urbana. Eu agradecia aos céus por meu filho ter tão bom gosto musical. Durante o caminho ele me fez prometer que eu iria no primeiro show dele quando baterista, mas na verdade ele nem precisava ter me pedido isso. Era óbvio que eu iria ser a mãe mais tiete da face da Terra. Chegamos na casa da Marina quase no final da tarde. Assim que ela viu eu e Ivan entrar pela porta da casa de mãos dadas, exclamou animada:

- Eu não acredito que vocês não me avisaram! Ivan, seja bem vindoooo! – Ela disse animadamente e embora estivesse tímido, sorria de orelha a orelha, deixando as covinhas em seu rosto ainda mais aparentes.

- Surpresaaaaaaaaaaa! – Respondi rindo. Eu mal podia conter a alegria que sentia ao estar com meu filho. Ivan puxou a manga da minha blusa, me pedindo para abaixar.

- Mãe...eu vou poder ir na...sabe...piscina? – O garoto cochichou em meu ouvido e acabei rindo.

- Ô rapaz, tem que falar com ela ali...- Apontei para Marina. – Ela é quem manda! – Ivan ficou com as bochechas vermelhas.
- Pede pra mim...- Pediu.

- Pede você, cara! – Incentivei que ele e Marina se aproximassem e ela pareceu perceber.

- Hm...o que vocês estão de segredinho ai?

Meu filho me encarou e acabei rindo. Indiquei com a cabeça ela, insistindo para que ele perguntasse.

- Er...Marina...- Ele começara a falar encabulado, mas aos poucos foi soando mais natural. -...eu posso brincar um pouco na piscina?

- Ahhhh era isso que você queria perguntar, Ivan? – Ela sorriu daquela forma contagiante e doce que só Marina sabia fazer. Ivan concordou com a cabeça. – É claro que pode! – O rosto do garoto se iluminou. – Mas...eu e sua mãe podemos brincar com você lá?

Amando a ideia, Ivan começou a pular animado.

- Pode...pode, vamoooooooos!

Passemos o final da tarde todo na piscina, até começar a esfriar e eu o obrigar a ir tomar banho antes que se resfriasse. Enquanto Ivan tomava banho, fui até o quarto da Marina em busca de uma toalha para ele.

- Marina?....- Perguntei antes de adentrar ao quarto.

- Entra Clarinha, você pode entrar sempre...não precisa nem pedir.

Adentrei ao quarto e para minha surpresa ela não estava nele. Imaginei que Marina estivesse  no banheiro.

- Eu posso pegar uma toalha pro Ivan?

- Claroooo!- Escutei sua voz, como eu imaginava, vinda do banheiro. – Vem cá...fica em um armário aqui no banheiro.

Caminhei até o banheiro mas congelei na porta entreaberta. Marina estava na banheira, coberta por espuma, mas ainda sim linda. Respirei fundo, tentando controlar as vontades que acendiam em mim.

- Desculpa eu...volto...

- Clara! Para com isso...pega a toalha ali...ó...- Ela apontou para um armário de madeira logo abaixo da pia. Segui para lá com a maçã do rosto levemente corada com a imagem de Marina na banheira. Me abaixei para pegar a toalha e quando levantei novamente, a castanha me chamou. – Clarinha...

- Oi? Que? – Respondi meio atrapalhada. Me aproximei dela inevitavelmente, Marina parecia ter um imã que me fazia ir em seu encontro independente da hora.

- Você está...tão linda...estava tão linda hoje na piscina...- Acabei sentando na beira da banheira, completamente derretida com o que ela dizia. A castanha aproximou a mão de meu rosto, acariciando-o e deixando um leve rastro de espuma  por meu queixo.

- Eiii! – Protestei, fazendo uma careta, e ela acabou rindo.

- Desculpa...- Marina mordeu o lábio inferior e meus olhos acompanharam aquele movimento dela sem ser capaz de desvencilhar o olhar de seus lábios. Como eu desejava beijá-la novamente, ansiava sempre por seus beijos.

- Você que estava linda,...- Baixei o tom de voz. - ...está linda...- Meus olhos desceram aos poucos para seu corpo na banheira cobertos pela a espuma, mas antes que eu me perdesse dos trilhos, voltei a encarar seus olhos. Fui surpreendida por um beijo da fotógrafa que fez com que eu automaticamente deixasse a toalha que tinha em mãos cair no chão e levar a mão, agora livre, ao seu rosto, segurando-o levemente. – Eu queria poder te trazer para essa banheira agora! – Marina sussurrou entre lábios de forma sexy. Arrepiei-me ao escutá-la e quase perdi o fôlego.

- Manhêêêê! – Ivan gritou do banheiro e eu fechei os olhos com força. Tentando me recuperar das sensações que Marina me causava.

Voltei a encará-la, nossas testas estavam juntas e ela ria.

- Você está rindo por que? Qual é a graça?

- Eu gosto de te ver assim...- Marina sussurrou.

- Assim como? Enlouquecendo? – Indaguei.

- Me desejando. – Marina confessou em um sussurro direto que me pegou desprevenida. Dei um tapinha em seu ombro.

- Você está ficando muito convencida, sabia?

Ela deu de ombros como se não se importasse com isso.

- Ivan deve estar congelando, Clara...

- Ah...Ivan, sim..meu filho! – Retornei a realidade, me levantando da beira da banheira onde havia sentado. Peguei a toalha e quando estava pronta para deixar o banheiro, Marina fez sinal para que eu me aproximasse novamente.

- Deixa eu limpar isso aqui...- Seu indicador passou pelo meu queixo retirando a espuma enquanto seus lábios roçaram levemente por meu pescoço. Estremeci e senti as pernas bambearem.

- Ok...ok...eu preciso ir agora se não ....eu não saio mais daqui! – Confessei, saindo rapidamente em passos curtos e escutei a risada de Marina no banheiro.

Jantamos em homenagem a chegada de Ivan cachorro quente com muita batata palha. É óbvio que ele gostou, mas o fiz prometer que estava ciente que aquilo não viraria rotina.  Ivan fez questão de ser apresentado a todas as máquinas que Marina tinha no estúdio. Mas na hora que ela ameaçou a colocá-lo como modelo, ele rapidamente correu pela casa dizendo que precisava dormir, pois amanhã tinha colégio. Sua agitação demorou um pouco para abaixar, na verdade ficamos conversando até dez horas da noite, um pouco mais tarde do que ele estava habituado a dormir. Prometi explicar com calma no dia seguinte, mas contei a ele que possivelmente nos próximos meses eu e Cadu moraríamos separados para evitar brigas, que até achar um lugar para mim, eu estaria ali com Marina. Ivan não se opôs a respeito dela, o que foi um alívio, mas me fez perguntas a respeito do casamento com o pai dele. Quando por fim dei todas as explicações que ele havia exigido, pegou no sono como um anjinho na cama de casal. Permaneci abraçada nele, não querendo-o soltar mais.

Cerca de duas horas depois, uma fresta de luz entrou no quarto. Eu ainda estava acordada, por isso vi Marina adentrar na ponta dos pés no quarto. Reconheci sua silhueta e sorri, sem me mexer para não acordar Ivan que dormia em um dos meus braços.
- Oii...- Ela sussurrou bem baixinho ao se agachar ao lado da cama em que eu estava. Seu perfume havia tomado todo o quarto.
- Oii...- Respondi, sorrindo.

- Eu vim ver como vocês estavam...- Senti a ponta de seus dedos acariciar as madeixas de meu cabelo.

- Eu...estou bem...estou com medo de dormir e ser só um sonho tê-lo aqui comigo. – Respondi ainda em tom baixo.

- Ele está, Clarinha, ele está conosco! – Marina respondeu e a forma como ela disse me fez sorrir, encheu meu coração de alegria.
- Conosco! – Repeti e a vi concordar com a cabeça.

- Sabe...hoje, pela primeira vez, quando brincávamos na piscina...eu...

- Você? – A incentivei continuar. Ainda falávamos em sussurro.

-... não ria por favor! – Marina pediu.

- Não vou rir! – Garanti.

- Pela primeira vez eu pensei...eu...desejei ser mãe!

Nossos olhos se encontraram, eu podia ver pouco de seu rosto, pois a única luminosidade vinha da fresta da porta, porém, pude ver como estava sendo sincera. Senti meus olhos se encherem de lágrimas, pela primeira vez nos últimos dias, por alegria, emoção. Aquilo era mais uma prova de que ela me aceitava, não só a mim, mas a nós dois.


* Tonight I'll dust myself off, tonight I'll suck my gut in : Hoje à noite eu vou me recuperar, hoje à noite eu vou criar coragem.








2 comentários:

  1. Eeeitaaa!!! Estou amando sua fanfic! Voce escreve muito bem, o modo como transpassa os sentimentos dos personagens... sua escrita é fantastica. Parabens e continua logo hein
    Beijoo
    #Bubu

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    1. Heeey! que bom que está gostando, fico tão feliz em ler isso! Fico ainda mais feliz em saber que meu objetivo está sendo alcançado, que é transpassar esse sentimento e o amor entre elas. Hoje postei três novos capítulos da fic, espero que goste! Beijinhos ;)

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