sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

E se...



E se...

Certa vez, sentada e entediada da chuva que banhava lá fora minha cidade cinza e barulhenta, acomodei-me em uma das mesas da praça de alimentação o Shopping. Menos barulhenta do que de costume por ser dia de semana, várias histórias alheias se misturavam, mas uma delas chamou minha atenção. Não sou fuxiqueira, longe disso, mas sou escritora e com isso admito que uma vez ou outra histórias reais me inspiram, chamam minha atenção, e desta vez não foi diferente.

Duas moças dividiam a mesa ao lado da minha, uma de cabelo preto e longo e uma moça mulata de cabelos cacheados. Dividiam um lanche do BOB’s. Pareciam já se conhecer, serem amigas de longa data, e entre uma risada e outra, um assunto sério surgia. Juntas elas compartilhavam de uma mesma opinião, que após sair de um relacionamento a vontade de nos mantermos longe de querer conhecer novas pessoas, é quase universal. Seja a esperança, a fossa, ou mesmo o sentimento que ainda está guardado, não importa. Elas não eram nem as primeiras, nem seriam as últimas a pensarem isso.

Mas então, o que nos leva a conhecermos outras pessoas? A darmos uma nova chance ao amor? Bem, como tudo nas Ciências Humanas, não sei uma resposta exata para isso, mas sei que, como seres humanos, como pessoas, necessitamos da companhia de alguém. De ter alguém para contar o dia, para falar ao telefone antes de dormir, para fazer planos, sonhar, viver, enlaçar os dedos e desejar um bom dia. Por mais que alguém diga que não precisa de nada disso, que festas e a vida noturna são bem mais divertidas, lá no fundo, escondido de todos, ela encara o rapaz que cruza seu caminho em um dia cheio no metro, que entra no Starbucks logo após ela, que está sentado no banco de madeira do outro lado do parque, e imagina, e se fosse ele?


Por Lis Selwyn
30/01/2015

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