sexta-feira, 17 de abril de 2015

Amor e Liberdade - Capítulo II


Capa: Paula Curi - Projeto Expresso da Literatura

Capítulo II

Fomos acomodados em uma mesa no centro do bar. Eu e Ricardo sentamos de um lado, enquanto Flora havia sentado na nossa frente. O rapaz passou os braços pelas minhas costas, abraçando-me e eu dei um sorriso encabulado, meio sem graça e desconfortável, enquanto sua irmã parecia imersa nas informações que o cardápio trazia.

- O que vai querer? – Ric indagou para mim.

- Hm...acho que um suco de maracujá! – Sorri para ele, tentando ignorar a morena que estava em minha frente para voltar a agir normalmente. Ele sorriu de volta, era o que sempre pedíamos, quando ele não bebia uma cerveja.

- Então serão dois, porque hoje eu não vou beber! Ao menos, não até a hora da apresentação...

- Qual é, devíamos virar uma dose de tequila! – A irmã dele me pegou de surpresa com sua colocação, eu jurava que ela sequer estava escutando nossa conversa.Ricardo riu divertidamente, eles pareciam se entender bem.

- Hmm...depois para comemorar podemos tudo, mana! Mas antes da apresentação...- Ele não terminou a frase. Flora fez uma careta.

- Sempre sendo certinho!- Ela resmungou.

 – Vai por mim, conselho de quem já se apresentou, um pouco de álcool sempre ajuda! – Ela deu uma piscadela e por um instante eu fiquei hipnotizada. Quando Flora olhou em minha direção, tentei disfarçar, torcendo para que ela não tivesse percebido.

- Ahh, eu nem te contei, Ceci! – Ricardo exclamou e eu olhei para ele, tentando quebrar meu ato involuntário de encarar Flora toda vez que ela falava, ou se mexia, ou respirava. – A Flora toca baixo, ela tinha até uma banda quando era mais nova!

- Que legal! – Desta vez encarei a morena, que me olhou de volta. Diria que foi a primeira vez que nos encaramos sem disfarces, sem peças do meu inconsciente.

 – Qual era o nome?! – Achei que era educado puxar algum tipo de assunto.

- The Soul! – Flora respondeu com certo orgulho. – Ainda temos alguns singles no youtube, mas infelizmente a banda acabou...sabe como é, faculdade...vida...trabalho...- Ela deu de ombros, chamando o garçom que passava por perto.Ricardo fez questão de falar os pedidos.

- São dois sucos de maracujá e...- Os olhos verdes dele encararam a irmã.

- E uma caipirinha de morango! – Ela sorriu, falando diretamente para o garçom.Conforme os primeiros alunos foram se apresentando, pude perceber que Ricardo ao meu lado foi ficando mais inquieto e ansioso.

- Eii...calma! Eu acho que vou pedir um terceiro suco de maracujá pra você! – Disse sorrindo e segurando a mão do rapaz que estava gelada.

- Ihhh...esse ai, é assim mesmo! Mais ansiedade que altura...e, pela altura dele, você pode ver o que isso significa! – Flora brincou e foi a primeira vez que senti uma barreira diminuir entre nós. 

- É que...- Ansioso, ele apontou para onde um rapaz que arriscava um solo de guitarra se apresentava. – Olha esse palco...é....é demais! – Ricardo sorriu e foi impossível não sorrir junto com ele, eu sabia que era um sonho que se realizava.

 – Ei...mana, pode tirar uma foto nossa? – Ele entregou o celular para ela.

- Claro! Sorriam...- Flora disse, enquanto preparava o celular para tirar a foto. Eu olhei para a câmera, mas instintivamente meus olhos foram na direção do rosto dela, sorri ao observar as bochechas coradas que ela tinha após duas caipirinhas e uma cerveja. E eu, que não era de beber, pela primeira vez entendi quando escutava que o álcool aproximava as pessoas.

A vez de Ricardo chegou e junto com ela, vários sentimentos misturados. Ele se levantou duas músicas antes da sua vez de subir no palco, e ficamos eu e Flora, naquela mesa minúscula que de repente parecia gigantesca por nos separar. Quando o rapaz subiu no palco com as baquetas em mãos, Flora se levantou e assoviou com os dedos. Pela primeira vez percebi a tatuagem que ela tinha no punho. Era metade uma lua azul e a outra metade uma estrela. Pensei o que aquela tatuagem poderia significar, o que a havia levado fazê-la e quando me dei conta, meu namorado já havia começado a tocar e eu estava lá, encarando sua irmã.Repreendi minha mente por ser tão incoerente, por fazer uma coisa dessas. Onde eu estava com a cabeça? Com certeza não era em Ricardo. 

- Eii...se importa? – A voz dela me trouxe de volta a realidade. Flora apontava em direção a pista.

- Claro que não, fique a vontade! – Sorri para ela, a morena sorriu de canto. Eu tinha um meio sorriso, alguns olhares e poucas palavras dela. Não era muito, mas já era alguma coisa. 

Flora seguiu para a pista onde algumas pessoas dançavam, curtiam os solos de bateria que Ricardo fazia. Ele era bom, eu tinha que admitir. Mas observar a irmã dele, dançando, vibrando com a música, era ainda melhor. Eu não me sentia a melhor pessoa em confessar isso, na verdade, eu se quer entendia o porque daquela fixação em Flora, mas havia algo nela que se assemelhava a mim. E por mais distante que fôssemos essa semelhança nos aproximava.Meus olhos captaram cada um dos movimentos daquela moça, embora ela vez ou outra se perdesse na multidão, eu sempre tinha a capacidade de encontrá-la novamente. Aquela noite, enquanto a encarava se divertindo na pista, eu senti algo que nunca havia antes sentido, uma vontade de pular daquela cadeira e me juntar a ela, um formigamento no ventre e um calor no peito.


//notas: gostaria de agradecer todo o apoio que tive para continuar a escrever esta história, e não só o apoio, como ideias e conversas, principalmente da Camila, que é sempre a primeira a ler tudo o que escrevo e a Paula que também fez parte do nascer desta história "Amor e Liberdade".

Um comentário:

  1. Amaaay o capítulo, pena que é curto e eu leio rápido '-' estou adorando ver Flora e já estou apaixonada nela. Mulher mais velha, com essa personalidade, esses olhares, que toca baixo e ainda por cima, tem uma tatuagem? Me apresenta pra ela? *---* hahahaha Estou adorando como a protagonista, e mal posso esperar mais interação entre elas :P Continua e espero que poste logo outro capítulo! *-*

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