quinta-feira, 14 de maio de 2015

Amor e Liberdade - Capítulo VIII





Capa: Paula Curi - Projeto Expresso da Literatura

Capítulo VIII


Encaramos-nos por um único instante que pareceu ter durado uma eternidade, quando encontrei forças para voltar ao banheiro, na tentativa de cortar aquela ligação, escutei sua voz quase que desesperada do outro lado da porta.



- Cecília! – Ela me chamou. Coloquei rapidamente a camiseta da Legião Urbana e o shorts curto azul que tinha em mãos. Abri a porta e ela já estava ali, quase que encostada na porta que fora afastada. – Desculpe se...eu...



Flora não conseguiu completar. Mesmo eu estando vestida me senti vulnerável com a maneira que ela me encarava. Meus olhos percorreram seu rosto, seus olhos, nariz e boca. Imaginei como seria seu gosto e como se adivinhasse meu pensamento, ela avançou. Beijou meus lábios primeiro. Como em um susto, eu afastei.



- Não! – Sussurrei baixo e novamente aqueles olhos me encararam, como eu desejava estar naqueles olhos verdes para sempre daquela maneira.



- Você quer...- Ela sussurrou e então percebi que não era a única a fantasiar com nós duas. O olhar que antes me fazia sentir vulnerável, agora me fazia sentir desejada.



- Eu...- Não consegui encontrar argumentos. Era algo que eu tentava controlar já fazia tanto tempo. Flora segurou em minha cintura, trazendo meu corpo para mais perto dela. Seu toque fez com que eu sentisse uma corrente elétrica por todo meu corpo, que estremecera aquele contato. Encaramos-nos e sorrimos. Pela primeira vez a entendi, a compreendi sem que ela fosse capaz de dizer uma única palavra. Seu jeito era uma defesa, porque ambas sabíamos que se aquela aproximação ocorresse não haveria forças que seriam capazes de nos afastar. 



Encarei mais uma vez seus olhos e tive a certeza de que o certo era me entregar a aquele beijo. Ao cair do luar, nos beijamos primeiro delicadamente, explorando a textura e o gosto uma da outra. Depois nosso beijo passou a ser urgente, como se não tivéssemos tempo a perder. Flora tinha perfume de flores e um gosto adocicado viciante. Ela acariciou meus braços descobertos, apertou levemente minha cintura. Descobrimos nossa singular sintonia. Porém aquilo era errado, não por eu estar com ela, mais do que nunca tínhamos a certeza de que éramos feitas uma para a outra, mas por eu estar com Ricardo. Encostei minha testa na dela, mantivemos esse único contato em silêncio por alguns instantes.



- Não me deixe sem seu beijo...- Flora pediu em sussurro. Não parecia a mesma pessoa, parecia desarmada, entregue a mim da mesma forma que eu gostaria de me entregar a ela. Abri os olhos e acariciei seu rosto com a ponta dos dedos de minha mão direita.



- Eu achei que fosse enlouquecer sem você...- Confessei em sussurro e me escutar dizer aquelas palavras em voz alta fez com que tudo parecesse diferente. – Fiquei sem te ver por tanto tempo...



- Eu estou aqui agora...se soubesse o quanto eu queria ter te beijado aquele dia no bar, depois na minha casa...o dia que eu fui até sua faculdade...Mas você era irredutível, determinada a não aceitar...



- Eu não sei se aceitei ainda...- Confessei e recuei. – São palavras muito fortes para dizer eu voz alta, mas eu sei que eu te aceitei em minha vida. Que quero você.



Flora diminuiu o espaço que havia entre nós e se aproximou, com intenção de voltar ao nosso delicioso beijo. Porém, desta vez me afastei ligeiramente.



- Eu não posso ainda...- Meus olhos se encheram de lágrimas. Flora me abraçou, sentamos na ponta da cama mais próxima.



- Ainda? – Ela perguntou confusa e com a voz baixa. Mas, na verdade, creio que entendeu o que eu queria dizer com isso, porém não acreditou. - O que vai fazer com Ricardo?



- Eu não posso continuar com ele...mas também não sei o que fazer com a minha família e...- As lágrimas pareceram escorrer do meu rosto com mais intensidade. Ela me abraçou com ainda mais força. Flora interrompeu colocando o indicador sobre meus lábios. 



- Shhh...- Ela pediu e beijei delicadamente seu dedo.



- Parece que vou desmoronar por dentro...- Confessei novamente.



- Não se preocupe...você não precisa encarar tudo de uma vez.



- Mas o que eu vou...- Comecei a soar desesperada, agora que havíamos nos beijado, agora que eu estava ao seu lado era ridículo pensar que eu tentei evitar e que eu acreditei que conseguiria de fato evitá-la.



- Calma... – Ela brincou, beijou meu queixo e então minha testa. Havíamos deitado de lado naquela estreita cama de solteiro e estávamos frente a frente. Pela primeira vez, me senti confortável ao lado de alguém, não só porque Flora parecia entender meu momento, mas principalmente porque eu sentia como se fosse o certo estar ali deitada ao seu lado. - Por enquanto, concentre-se que somos eu e você ao cair do luar! – Flora sussurrou. Desta vez selei meus lábios nos dela. Ficamos naquele abraço até perdermos a noção do tempo, até seu carinho e sua respiração embalarem meu sono. Eu queria me entregar de corpo e alma, como dizem, àquela loucura, porém eu não queria que fosse dessa forma, não estando ainda com Ricardo. Flora e eu merecíamos mais do que isso.

Um comentário:

  1. Aeeeeeeeeeeee adorei, finalmente, finalmente *-* elas se beijaram *-* adorei! Ai ai essa Flora... *-* Calma, Ceci, é só uns beijos u.u não precisa se desesperar ainda, curte o momento e tals hahaha continuaaaa, quero saber como vai ser agora a interação das duas *-*

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