domingo, 12 de julho de 2015

Amor e Liberdade - Capítulo XXI


Capa: Paula Curi - Projeto Expresso da Literatura


Eu passei a mão delicadamente pelo rosto de Flora, meu dedo deslizou levemente por sua pele ferida e então engoli seco.Não conseguia imaginar como um homem como Ricardo poderia ser capaz de algo tão brutal.


- Eu não acredito...eu vou...eu ...- Flora colocou a mão sobre meu braço e sorriu de canto ao ver aquele momento de valentia que havia me tomado.

- Não...você não vai! Ele está com raiva...e um homem ferido é o pior tipo para se lidar.

- Não é justo o que ele fez com você! – Argumentei.

- Ele não está certo...não estou dizendo isso. Só digo que prefiro que isso tenha acontecido comigo, e não com você.

- Todo o respeito que eu tinha por ele acabou...acabou mesmo!- Eu falava com raiva, só o fato de pensar em seu nome me deixava completamente irritada.

Flora me abraçou e aquele abraço acalmou não só a mim, como ao meu coração. 

- Nós já resolvemos isso...- Ela sussurrou em meu ouvido. Afagou as madeixas de meu cabelo e tentou me fazer esquecer. 

Mas não foi tão fácil, eu não esqueceria nem o perdoaria com tanta facilidade.
- Vocês já estão bem então? - Encarei-a, querendo saber.

- Não exatamente...- Com apenas essas palavras, entendi que apesar da briga, nada havia sido resolvido em consequência dela. 

- Se ele alguma vez tentar qualquer outra coisa que possa te machucar...

Flora riu. Não entendi exatamente por que ela fez isso, mas se explicou logo em seguida.

- Não se preocupe, eu sei me defender, Ceci!- Ela suspirou. – Principalmente do meu irmão...- Ela piscou para mim.

- Mas por que ele fez isso? – Eu não iria sossegar, não até Flora me dar mais detalhes do que havia acontecido.

- Não foi nada demais, foi ciúmes, dor de cotovelo dele...Quando cheguei em casa depois da noite que passamos juntas, ele me aguardava no portão de casa. Disse que havia me seguido desde o momento que eu saíra de casa para te buscar...que havia visto tudo. Começou a me ameaçar, começou a ameaçar que contaria para os seus pais...e mais um monte de coisa. Eu não dei crédito, segui meu caminho e ele deu um jeito de fazer com que eu o ouvisse. 

- Eu o odeio!- Disse cheia de amargura.

Novamente, Flora riu.

- Não vale a pena, ele vai superar...ele me culpa por você ter...se descoberto...mas na verdade eu agradeço por ele me culpar. Nunca permitiria que você se machucasse por minha causa...- Encostei a cabeça em seu ombro. Seu jeito protetor, carinhoso me encantava. – Eu só quero ser responsável pelos sorrisos colocados em seu rosto, nunca pelos machucados, sejam eles na pele ou na alma.

- Você nunca me machucaria...- Eu disse, mostrando que confiava inteiramente nela.

Flora beijou meus lábios, me fez esquecer um pouco daquele mundo por alguns instantes. Trocamos carinhos, abraços e juras. Até eu concordar com o pedido dela de me levar até, pelo menos, a esquina da minha casa. 

- Acho que eu fico aqui...- Apontei para a rua, quando Flora estacionou o carro.

- Espero te ver logo...eu não gosto de confessar essas coisas, mas conto os dias para te ver!

Abracei-a forte, adorava essas confissões inesperadas que surgiam dela.

- Você verá...eu prometo! – Nos beijamos mais uma vez, protelando a real despedida.

Criei coragem e abri a porta do carro.

- Ceci...- Ela me chamou quando eu estava fechando a porta. Abaixei-me para olhá-la pela janela.

- Sim?

- Quando puder, procure no Youtube por “She Keeps Me Warm” da Mary Lambert...- E então Flora piscou.

- Pode deixar! – Sorri, curiosa para saber de que música se tratava.

- Eu ando meio viciada nessa música...- Foi mais uma confissão.

Sorri de canto, de uma forma boba e apaixonada.

- Quer dizer que temos uma música?!

- É, eu acho que temos...- A morena concordou e eu mordi meu lábio inferior. Caminhei até minha casa pensando no que Flora havia dito. Ela era não só mais velha do que eu, como também mais experiente, mas por um momento vê-la ali tão envolvida, tão apaixonada quanto eu, fez com que eu criasse ainda mais coragem para entrar em casa de cabeça erguida, para acreditar que nós daríamos certo.

5 comentários:

  1. Lis... Agora você está nos devendo a transformação completa e a reviravolta na vida da Ceci!!! Assim não vale Mocinha!!! Ela que desabrochou e teve coragem de dar o beijo público!!!

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    1. Calmaa, calma que a reviravolta, o amadurecimento da Ceci virá, mas antes ela precisa passar por algumas experiências, só o tempo irá ensiná-la a viver! :P Muito obrigada pelos comentários e sugestões, eu adorei!

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  2. Descobri seus textos a alguns dias e me apaixonei!! Fiquei tão envolvida pela historia e a forma como me vi em certas partes... Ótimo!
    Parabéns moça! ��

    Ana.

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    1. Olá, seja muuuuuito bem vinda! Fico tão feliz quando aparece gente nova por aqui. Saber que se vê na história, que consegue se colocar no lugar das personagens é a melhor coisa que eu poderia ouvir. Escrevo Amor e Liberdade tentou aproximá-la o mais perto da realidade e quando vocês me dizem que a história parece até real, fico super feliz! Assim como a vida, as personagens passam por dificuldades e isto só colocará a prova o amor das duas. Enfim, seja muito bem vinda, fique a vontade para aparecer sempre por aqui e tenha uma ótima leitura aqui no "Minha Locadora de Ideias". Beijinhos

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  3. Adorei! Hahaha muito fofo mesmo o jeito da Ceci de, mesmo passando por tudo, querer defender a Flora *-* Só vamos ver como vai ser a real agora com os pais... Mas fiquei ainda mais xonada na Flora, por que ela não é real? '-' hahaha.

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